[Resenha] A Máquina Diferencial, de William Gibson e Bruce Sterling – Aleph

A Máquina Diferencia - Escrev'ArteTítulo: A Máquina Diferencial

Autores: William Gibson e Bruce Sterling

Editora: Aleph

Páginas: 456

Gênero: Steampunk, Cyberpunk

Fonte: Cortesia da Editora

Skoob

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Sinopse (Skoob): Em uma versão alternativa da Inglaterra vitoriana, a ascensão do Partido Radical trouxe mudanças impressionantes. Pelas ruas da capital, cartolas e crinolinas misturam-se a cinétropos, gurneys e cabriolés. O trem metropolitano e o sistema de esgotos revolucionam a rede urbana. Tudo graças às conquistas científicas alcançadas pela Máquina: no auge da Revolução Industrial, os avanços promovidos pela tecnologia a vapor anunciam a era da informática. Com um século de antecedência. Mas Londres também é uma cidade em convulsão. O alvoroço causado pela turba desordeira assusta a população. Além disso, uma conspiração mais sofisticada – porém não menos perigosa – parece ameaçar a segurança e a estabilidade de todo o país. Enquanto isso, uma misteriosa caixa com cartões perfurados é objeto de cobiça e disputa, pois guarda um segredo estratégico, ligado a interesses nebulosos. Acidentalmente ou não, ela cai nas mãos de diferentes personagens, mudando suas vidas: Sybil Gerard, ex-amante de um político influente e filha de um insurreto executado; Ada Byron, filha de Lorde Byron, então primeiro-ministro da Inglaterra; e Edward Mallory, um respeitado cientista, descobridor do famoso Leviatã Terrestre.

RESENHA

William Gibson e Bruce Sterling são citados sempre que buscamos informação acerca da literatura cyberpunk e steampunk. De fato, a narrativa destes ícones da literatura mundial é unica e expressiva. Não são livros superficiais nem simples. Feito para uma leitura atenta e observacional, A Máquina Diferencial é conhecido como um marco steampunk.

Só para contextualização, Steampunk é o gênero literário que retrata um passado – ora com base no passado real, ora completamente imaginário – composto por tecnologia à frente de seu tempo, através das máquinas à vapor. Já o Cyberpunk, gênero não tão reconhecido quanto o anterior, retrata a presença da tecnologia, atrelada a uma cultura de contraposição.

Não é tarefa das mais fáceis escrever um livro a quatro mãos, tendo em vista a necessidade de “casar” ideias e criações, para que haja uma sequência harmoniosa aos olhos do leitor. Imagine então quando dois gênios resolvem juntar seus planos. Já imaginava tarefa complexa, e minha suspeita se concretizou lá no final da obra, nos extras, quando o leitor é presenteado com um posfácio escrito alternadamente pelos autores. A obra A Máquina Diferencial levou nada menos que sete anos para ser concluído, tempo necessários para as junções, criações, pesquisas e adaptações. Para que se tenha uma ideia, 42 referências reais – entre personagens e lugares – estão presentes. Na verdade, é um tanto difícil separar quais são os personagens completamente ficcionais dos praticamente reais. O resultado, uma obra densa e única.

A trama envolve não só os aspectos naturais do gênero Steampunk. Há muito nestas páginas de conspiração, política, romance… Em diversos pontos o leitor mergulha numa aventura envolvente de perseguição. Em outros a ação fica por conta das características de uma Inglaterra em alvoroço estrutural. A descrição dos autores envolve a ponto de levar o leitor a imaginar um átimo do que seria, por exemplo, o Fedor, presente em boa parte dos dias dos personagens.

Em suma, Máquina Diferencial aqui representa o protótipo do que hoje conhecemos por computador. Nesta obra, lá pelos idos do século XIX, já era notório que a tecnologia traria conspiração e politicagem na mesma proporção em que ofereceria modernidade, agilidade e conforto à população. A relação entre o avanço tecnológico e a adequação do homem a esta mudança por demais ágil fica clara nestas páginas.

Não é uma leitura fluída e rápida, pelo menos não em todo. A obra varia na sua fluidez, dando inclusive a sensação de ser perceptível as partes em que cada autor encabeça a obra (sensação, creio eu, errônea, tendo em vista a experiência dos autores e a base da escrita compartilhada que é minimizar justamente esta alteração de foco). Desta forma, as partes mais morosas da história são balanceadas por outras fluídas e envolventes, oferecendo um equilíbrio que mantém a atenção do leitor.

No final, inserções e formatos novos presenteiam o leitor e deixando uma sensação de gran finale, digno das mentes prodigiosas que deram vida à Máquina Diferencial.

Tive acesso à segunda edição, pela Editora Alpeh. Desnecessário citar a qualidade da revisão e atenção aos termos específicos presentes no original. Sem dúvida alguma, poucas editoras possuem a capacidade de adequar tangível e intangível de uma obra quanto a Aleph. Indispensável.

 

Avaliação da obra
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Minha nota:
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