[Resenha] Céus e Terra, de Franklin Carvalho – Editora Record

Céus e Terra Escrev'ArteTítulo: Céus e Terra

Autor: Franklin Carvalho

Editora: Record

Páginas: 208

Gênero: Romance

Fonte: Cortesia da Editora

Skoob

Sinopse (Fonte: Skoob) Com uma linguagem colorida, lírica e densa, Céus e terra conta a história de três mortes ocorridas em 1974: um cigano, um menino e um lavrador. O menino, chamado Galego, filho de família muito humilde, é decapitado por acidente logo no início da obra, quando então descobrimos que é esse pequeno defunto o narrador de toda a história. Sem piedade pela própria morte e sem sofrimento algum, o fantasma mirim acompanha a vida da cidade: o restaurante que se inaugura no velho casarão, o movimento da barbearia e da farmácia, a morte dos habitantes, os casamentos, a chegada e partida do circo. Nesta trama conduzida com leveza e agilidade, acompanhamos a trajetória do menino sem cabeça que vai se tornando um mito dentro da cidade e um sábio dentro dele mesmo, como se a morte pudesse, de fato, conter a chave de todos os mistérios.

RESENHA

Após ser morto decapitado, o Galego, garoto da pequena cidade de Araci, se torna o narrador desta história singela que expõe ao leitor a vida e costumes de um tempo passado, de uma cidade pequena, de moradores simples e crentes.

Galego vai contando ao leitor nestas páginas como ele chegou a ser considerado santo, como as pessoas agem diante dos problemas do dia a dia e principalmente como reagem diante da estranheza da morte. Podemos conhecer o dia a dia desta cidade através dos olhos deste recém jovem morto que, mesmo após o seu falecimento, ainda se desenvolve e amadurece.

De escrita envolvente e marcadamente literária, Franklin presenteia o leitor com uma obra inteligente e bem escrita. Seu uso de palavras, de linguagens e de retratos da realidade são dignos de autores consagrados e altamente experientes. Sem dúvida, é um autor promissor e capaz.

Temas como religiosidade, fidelidade e, claro, a morte, são abordados nestas páginas não como sermões, nem possuem o intuito de convencer ninguém muito menos tentam impor uma verdade. Mas sim como retrato do que são as pessoas e de como elas vivem os seus dias e suas vidas. Inclusive, a visão da morte, a ligação dos mortos com as orações dos vivos, a sensação da alma em relação ao fim do corpo, tudo isso é descrito com leveza que quase desmistifica este evento certeiro, porém temeroso.

Também não é preso a um tempo linear e comum, embora os capítulos sejam nomeados pela sequência dos meses. Desprendido das limitações da vida, Galego pode estar aqui e ali ao mesmo tempo, e pode ter o tamanho e proporção que desejar ou que seja necessária para seus intentos. Esta falta de amarras e limites transforma a leitura num prazer leve. Lê-se despretensiosamente e tranquilamente estas páginas.

A edição da Record é compatível com a obra e o seu conteúdo justifica claramente o prêmio recebido – Prêmio Sesc de Literatura 2016. Parabenizo ao criador da obra, e à editora por apostar nesta literatura nacional tão bem retratada.

 

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