[Resenha] Liturgia do fim, de Marilia Arnaud – Editora Tordesilhas

liturgia-do-fim-blog-escrevarteTítulo: Liturgia do Fim

Autora: Marilia Arnaud

Editora: Alaúde – Selo Tordesilhas

Páginas: 150

Gênero: Romance, Biografia ficcional

Fonte: Cortesia da Editora

Skoob

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Sinopse (Fonte: Skoob) Inácio, escritor e professor universitário, um homem assombrado pela memória e pelos fantasmas de um segredo familiar, abandona a mulher e a filha, as salas de aula e a literatura para voltar a Perdição, lugar onde nasceu e viveu até os 18 anos. Com essa idade foi expulso de casa pelo pai, um homem rude e autoritário que educou os filhos com rigor e frieza. Numa narrativa descontinuada e sinuosa, em que presente e passado se alternam e se misturam, Inácio narra a infância e a adolescência em Perdição, a vida em família, a relação difícil com o pai, o terno entendimento com a mãe, a obsessão pela tia louca, os medos noturnos, o primeiro e único amor, a paixão pelos livros.

RESENHA

Com uma escrita bucólica, poética, Marailia Arnaud nos insere nas entranhas da vida de Inácio. Inácio é, atualmente, um escritor. Mas foi muita coisa nesta vida. Ele está em busca de respostas, precisa reviver e reencontrar certos momentos do seu passado para que possa fazer um processo de decantação da dor. Não é mais possível conviver com suas próprias perguntas e memórias.

A história começa na viagem de Inácio para Perdição, local onde nasceu e foi criado até os 18 anos. Já no caminho as memórias o assaltam e chegam a desestabilizá-lo ainda mais – mesmo que pareça ser impossível estar mais incomodado. Sua história sempre o atormentou tanto que moldou toda a sua trajetória. Através de seus relatos, vamos conhecendo um homem insatisfeito, que nada consegue matar a sede que sente não se sabe do quê. Foi muito, mas não foi nada. Agora, depois de muito tempo e de muito lutar, após conseguir se estabilizar – ainda que mais pela força do destino do que a sua própria -, já com esposa, casa, carreira e filha, Inácio precisa sair mais uma vez em busca. é preciso selar o passado. E chega à casa de seu velho pai.

A história de Inácio é pesada, densa. Cheia de entrelinhas que explicam muita coisa, que justificam muitos de seus atos, e ao mesmo tempo abrem lacunas na mente do leitor… “O que ele conta é tudo o que aconteceu? Ou há algo mais, ainda mais profundo e escondido, que embasa todos os seus caminhos?”

Até onde a forma com que a criança é criada influi nas suas escolhas e na sua vida? Até onde estas escolhas tornar-se-ão erradas em função daquilo que viveu, presenciou e fez no passado? Estas e muitas outras questões assaltam o leitor a cada linha lida, a cada novo relato de Inácio, a cada nova ação / reação daqueles que reencontra em sua chegada à cidade de Perdição.

Em suma, Liturgia do Fim é uma história que fala às entranhas do leitor. Que remete muito mais à nossa alma do que à nossa mente. Inácio é despido pela autora e enxergamos sua alma. Seu segredo mais profundo é escancarado e sequer conseguimos questionar ou condenar. Extremamente propício o nome da obra, pois a visualização da história chega a ser religiosa, litúrgica, cerimonial. Título definitivamente inspirado.

A forma de escrever de Marilia Arnaud é culta e fluída. A obra, de apenas 149 páginas possui diagramação com diálogos inseridos no parágrafo. Este formato não dá certo em toda e qualquer obra, mas em Liturgia do Fim casou perfeitamente com o estilo da escrita. É narrado em primeira pessoa, o que favoreceu enormemente o conhecimento profundo do protagonista por parte do leitor.

Enfim, recomendo a obra a todo leitor amante deste universo inexplorado e desconhecido que é a mente humana e o que ela é capaz. Para todo leitor que, como eu, é curioso pelos porquês dos atos, dos gestos, das escolhas e dos impulsos das pessoas. Indispensável para quem quer conhecer a alma humana.

 

Avaliação da obra
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