[Resenha] Armadilha, de Melanie Raabe – Editora Jangada

armadilha-blog-escrevarteTítulo: Armadilha

Autora: Melanie Raabe

Editora: Jangada

Páginas: 304

Gênero: Suspense, Mistério, Thriller

Fonte: Cortesia da Editora

Skoob

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Sinopse (Fonte: Skoob) Linda, uma escritora best-seller, vive reclusa em sua casa à beira de um lago desde o assassinato de sua irmã mais nova há doze anos. O assassino nunca foi pego, mas Linda o viu de relance, e agora ela acaba de reconhecer seu rosto na TV. Ele é Victor, um brilhante jornalista. Pensando numa saída para pegá-lo, ela escreve um best-seller baseado no assassinato da irmã e concorda em conceder uma única entrevista à imprensa, em sua casa, para Victor. A partir daí tem início um embate perturbador. Cheio de reviravoltas, tensão e terror psicológico.

RESENHA

O que mais me fascina em histórias de suspense – bem escritos – é a capacidade do autor em fazer o leitor suspeitar de todos e de ninguém ao mesmo tempo e de fazer com que, em dado momento, passa-se a duvidar até mesmo de suas convicções. Este livro causou este alvoroço nas minhas certezas e eu adorei!

Linda é uma renomada autora de romances, portadora de síndrome do pânico que a enclausura em casa há 12 anos. O estopim para sua condição foi o assassinato de sua inseparável irmã, Anna. Linda viu o assassino, mas ele nunca foi encontrado. Nenhum motivo óbvio pôde ser descoberto pela polícia e não há suspeitos. Num dia em que as coisas não estão muito boas para Linda, ela vê o assassino na TV. É um renomado repórter internacional. Então Linda se preparara para uma emboscada, com o intuito de finalmente desmascarar o assassino da irmã. Como nem a polícia acredita mais nela, precisa fazer tudo sozinha.

Lendo esta descrição você, leitor, pode até achar que, então, o livro se trata disso. Da armadilha que Linda prepara para Victor. Mas a história vai muito além disso. É um thriller psicológico que mexe com o leitor profundamente.

Eu particularmente adoro histórias que aludem à mente humana e suas incalculáveis capacidades. Tanto para o brilhantismo quanto para a loucura, qualquer que seja a interpretação que se dê ao termo ‘loucura’. Podemos criar realidades únicas, que só nós conhecemos e, diante disto, como separar a realidade da fantasia de nossa mente? Como a própria Linda diz, como o louco sabe que é louco? Seria um devaneio ou uma constatação?

Nestas páginas encontramos muito destas realidades e fantasias. Destas certezas e devaneios. No fim, não sabemos mais em quem acreditar, e onde a realidade se esconde.

O livro apresenta dois momentos. O atual, narrado em primeira pessoa por Linda, e outro que apresenta trechos do seu livro: Irmãs de Sangue, que ela publica com a única intenção de fisgar o assassino. As páginas que apresentam trechos do livro são grafados em fonte diferente, o que dá ao leitor a real sensação de estar vivendo uma história e lendo a outra.

A autora foi formidável na montagem dos personagens. Linda é, ao mesmo tempo, perspicaz e louca. Instável e detalhista. É possível reconhecer seus rompantes e momentos de lucidez crítica. Victor transparece uma variedade de impressões ao leitor e termina de forma inesperada. É, ao mesmo tempo, um homem frio e sensível, e as sensações do leitor por ele podem passar de compaixão à desconfiança (ou vice versa) num passar de parágrafos. Anna, embora morta, é um personagem bem retratado e que justifica, lá no final, os rompantes dos principais personagens ligados a ela. Impressionante a ligação de personalidades que compõem os ‘motivos’ da história.

A um leitor crítico a história apresenta algumas pequenas falhas, que creio serem quase que impossíveis de evitar na sua totalidade em histórias de suspense. Sempre há algum momento em que podemos questionar: puxa, mas porque ele não fez isso, ou ela fez assim?… mas enfim, no todo, a história é muito bem escrita e me prendeu a ponto de me fazer sonhar com situações ligadas à trama.

Existe um quê de romance nada destoante, que possui somente tênues traços ao longo da história e que merece um pequeno capítulo exclusivo, tanto na história quanto no livro dentro do livro. Fato que meio que amenizou o peso da história para encerrar o livro com a sensação de um pouco mais de normalidade. É como se dissesse: ainda que tudo seja extremamente estranho e tortuoso, no fim, bem no final, tudo pode voltar ao normal.

A edição da Editora Jangada está impecável. A capa representa não só cenas quanto sentimentos que perpassam a história, o miolo em papel pólen, fontes e margens ideais proporcionam horas de leitura agradável, e eu não encontrei erros de tradução ou revisão. Enfim, uma obra que merece ser lida e vai entrar para o rol dos livros que indicarei, sempre que alguém me pedir uma dica de leitura (o que acontece com frequência, diga-se de passagem). Então recomendo a você: Leia Armadilha. É uma obra fenomenal!

 

Avaliação da obra
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Minha nota:
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