[Resenha] O que não existe mais, de Krishna Monteiro – Selo Tordesilhas, por Rê Souza

O-Que-não-existe-mais-Krishna-Monteiro-capa (1)Título: O que não existe mais
Autor: Krishna Monteiro
ISBN: 978-85-8419-027-0
Gênero: Contos brasileiro
Páginas: 112
Editora: Tordesilhas
Cortesia do autor

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Sinopse:

O que não existe mais é um relato sobre memória e desajuste, solidão e renascimento. Neste livro de contos, Krishna Monteiro explora esses temas sob vários ângulos. O de um filho perseguido nos corredores de sua casa pela lembrança viva o pai; o de um pacto celebrado pelo escritor João Guimarães Rosa numa encruzilhada; o de um galo de briga que, ao combater na arena, recorda toda a sua existência; o de um gato, narrando os últimos momentos de sua dona, sem compreendê-los; o de um velho soldado que tenta sem sucesso exorcizar a guerra; o de uma mulher que diante da degradação e do envelhecimento vê no ato de contar histórias a fonte mesma de criação e manutenção da vida.

Resenha:

Terminei a leitura deste livro com sentimentos revirando dentro de mim…

Adoro contos, e confesso que O que não existe mais me tocou de tal forma que será impossível esquecê-lo… E por mais que fique por horas tecendo elogios à obra, ainda será muito pouco para definir tamanha admiração.

A narrativa de Krishna Monteiro é um misto de saudade do que ficou para trás, de acontecimentos fragmentados guardados na memória servindo como combustível para seguir em frente. Pois não é exatamente isso, essas lembranças, esses sentimentos guardados na memória que nos mostram que estamos vivos, que temos nossa história?

De ausências e momentos simples de felicidade, de lucidez e devaneios em forma de palavras retiradas do fundo da alma, arrancadas do coração e semeadas no vento…

O que não existe mais é tocante, e ao mesmo tempo em que é singelo é grandioso.

Krishna escreve de maneira envolvente, tocante e profunda, uma narrativa que nos prende do início ao fim.

Cada conto composto no livro remete a um passado distante, num misto de amargura e docilidade ao mesmo tempo, das desavenças que acometem muitas famílias, do que ficou pendente entre pai e filho, da dor da perda, da guerra interna e a travada com armas, de momentos simples da infância, de memórias e recordações do que não existe mais.

A narrativa é ágil, poética e apaixonante, mas exige atenção durante a leitura, se não, um tantinho que seja de sensibilidade para compreender palavras carregadas de sutilezas.

O que não existe mais possui uma escrita elegante e densa. Uma relíquia a mais para nossa literatura nacional.

Termino a resenha com trechos de dois dos contos que mais me tocaram.

O que não existe mais.

“… O que eu queria, o que eu mais queria em ti era que aquelas tardes em que eu te perseguia pelos corredores durassem por toda a eternidade. Tu partias escada acima, passo rápido, olhando para trás e sorrindo, escalavas desenvolto os degraus com pernas infinitamente mais longas que as minhas. Virava à direita. Desaparecias …”

O sudário.

“ Se eu fosse você, largaria esta arma, poria no chão este revólver, lançaria por terra a bala de aço destinada a destruir teu crânio. Se eu fosse você, correria, cruzaria o chão do quarto em direção à janela, e, após escancarar cada uma de suas folhas e erguer a vidraça e ouvir o rangido das dobradiças que abotoam a madeira, então eu, se fosse você, botaria para fora meu pescoço neste breu anoitecido e sereno. Levantaria os braços, saudaria o mundo com a mais refinada das mesuras e respiraria uma a uma as múltiplas vozes que cavalgam o vento.”

 Lindo demais gente!!

Recomendo!

A capa é linda, páginas amarelas e de ótima qualidade, edição está perfeita! Parabéns à editora que caprichou na obra.

 

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