[Reportagem] A 11ª Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas

11ª Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas & Festival Literário

 

Desde o final do ano passado já havia várias divulgações sobre a Flipoços, com possíveis presenças e depois confirmações das mesmas, causando grande alvoroço na população da cidade e possivelmente também em visitantes para participarem.

Diversos expositores trazendo milhares de exemplares a preços acessíveis, praça de alimentação, atividades culturais e presenças ilustres para discussões prometiam fazer da feira grande espetáculo.

Trabalhando em uma das empresas patrocinadoras desse projeto este ano, consegui de certa forma presenciar um pouco dos bastidores desse grande evento. E foi fascinante passar todos os dias pelo Espaço Cultural da Urca e presenciar a montagem e os preparativos dias após dia.

E chegada a grande semana, como toda e boa amante da literatura não pude ficar de fora e fui adquirir livros novos e ingressos para as chamadas Mesas Literárias dos dias 04, 05 e 07 de Maio.

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A primeira discussão que participei foi dia 04 de Maio às 20h00min no teatro da Urca que tinha como temática: “Os índios na Literatura Clássica e Contemporânea brasileiras”. A escritora e antropóloga Deborah Goldemberg (autora de Valentia romance vencedor do PROAC do governo de São Paulo em 20111- finalista dos prémios Jabuti e Machado de Assis em 2013), o jornalista, designer, tradutor e editor Vanderley Mendonça e o especialista em cultura africana e indígena Benedito Prézia foram os convidados para a abordagem dessa mesa. Confesso que esse dia foi o que eu mais estava aguardando para participar.

Benedito Prézia que possui um grande carisma e trabalha há 33 anos com a temática indígena, abriu a apresentação, falando um pouco sobre si mesmo e de seus colegas, de seus respectivos prêmios, obras e graduações. Exaltou a dificuldade do brasileiro em ler essa temática nos livros e expôs as fases do índio na nossa literatura brasileira.

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Dentre essas fases, o Romantismo recebeu um destaque especial (como já era de se esperar), mas para minha surpresa de maneira diferente. Segundo Deborah Goldemberg o romantismo foi muito eficaz, pois os autores da época seguiram os movimentos internacionais transformando o índio, um elemento do nosso país, em um herói como vinha acontecendo no exterior e assim ficou esse “rótulo” até nos dias atuais. Confesso que fui para o mesão com isso na cabeça, vão falar do índio, nosso herói brasileiro e defender isso.

Mas não, mostrou como esse “rótulo” tornou difícil para as pessoas verem e aceitarem um índio real, um índio como um não Peri (personagem da obra O Guarani de José de Alencar que era puro, leal, corajoso). A sociedade de certa maneira furtou a identidade indígena, interferindo na sua cultura, na religião, nos hábitos. Deborah disse: “Se o índio não estiver caçando, usando cocar não é um índio?”.

A segunda discussão foi dia 05 de Maio às 20h00min no teatro da Urca que tinha como temática: “Como a Poesia pode amenizar as dores da vida Real”. Os poetas Paulo Lins e Alice Ruiz foram os convidados dessa mesa. Ele é poeta, romancista, roteirista de cinema e televisão e professor licenciado em Língua Portuguesa e Brasileira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Autor do romance a Cidade de Deus, adaptado para o cinema com quatro indicações ao Oscar. Ela é poeta e compositora, premiada por duas vezes com o Jabuti de Poesias. Como compositora tem parceria com Cássia Eller, Adriana Calcanhoto, Gal Costa, entre outros.

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Assim como a temática anuncia, os poetas falaram sobre como escrever pode ajudar nos problemas do dia a dia. Em como a poesia ajudou na vida deles e como são gratos por isso. Alice Ruiz falou também sobre as parcerias feitas com diversos músicos brasileiros. E Paulo Lins sobre o seu famoso livro Cidade de Deus.

A terceira discussão foi dia 07 de Maio às 20h00min no teatro da Urca que tinha como temática: “Eu sobrevivi ao Holocausto – o comovente relato de uma das últimas amigas vivas de Anne FrankNanette Blitz Konig e José Luiz Goldfarb foram os convidados dessa mesa.

Nanette Blitz Konig é judia nascida em Amsterdã, Holanda em 1929 e veio para o Brasil em 1953 depois de casar-se com Jonh Konig. José Luiz Goldfarb é professor de física e diretor de cultura judaica da Associação Brasileira A Hebraica.

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Ela contou sua vida desde a infância até a fase adulta. E como era da curiosidade de todos contou sobre seu dia a dia com Anne Frank na escola e sobre a guerra. Com sua narração o que observei foi o quanto Nanette é uma guerreira, pois o tanto que sofreu durante o período que passou no campo de concentração, as doenças que adquiriu a maneira na qual saiu de lá debilitada e pesando apenas 30 quilos e conseguir continuar a vida, seguindo em frente, realmente é impressionante.

Resumindo, a Flipoços este ano prometeu e cumpriu. Foi um grande espetáculo e deixou todos os seus visitantes com gostinho de quero mais. Tenho certeza que para os trabalhadores do evento o resultado também foi muito positivo. Para mim é muito bom ver o quanto minha cidade está cada vez mais envolvida com a literatura. Para aqueles que não conhecem digo que vale apena conhecer. E para aqueles que já conheceram tenho certeza que não será preciso dizer mais nada. Todos estão querendo tenho certeza, é que chegue logo o ano que vem. Então que venha logo 2017, pois já queremos mais!

Summary
Event
Flipoços 2016 - Poços de Caldas/MG
Starting on
04/30/2016
Ending on
05/08/2016