A Máquina de Caminhar, de Critovão Tezza – Editora Record

downloadTítulo: A Máquina de Caminhar

Autor: Cristovão Tezza

Seleção e Apresentação de Christian Schwartz

Editora: Record

Páginas: 192

Gênero: Crônicas

Fonte: Cortesia da Editora

Sinopse (Skoob): Livro inédito e ilustrado do autor de O filho eterno.
Por mais de seis anos, Cristovão Tezza assinou uma coluna de crônicas no jornal paranaense Gazeta do Povo, revelando a seus leitores uma nova faceta, a de observador fino e bem-humorado do cotidiano. Segundo livro saído da contribuição desse cronista tardio às páginas do jornal, A máquina de caminhar reúne 64 crônicas, selecionadas por Christian Schwartz e ilustradas por Benett, que comprovam a maestria do autor em extrair do circunstancial e do provisório pequenas pérolas literárias. Completa esta coletânea um saboroso ensaio sobre a crônica, com a marca do humor, em que Tezza faz uma brilhante análise de dois exemplos da pena de nosso maior prosador, Machado de Assis. A partir deles, procura definir as marcas deste gênero brasileiríssimo ao qual se dedicou de maneira quase acidental e de que este livro é uma bela amostra.

RESENHA

Cristovão Tezza publicou, de 2008 a 2014, crônicas semanais para o jornal paranaense Gazeta do Povo. Este livro apresenta uma coletânea de 64 contos que presenteiam o leitor com textos que retratam o quotidiano. Tezza demonstra uma facilidade enorme para extrair comentários às vezes divertidos, às vezes críticos ou ainda céticos, de situações corriqueiras que certamente passariam despercebidos para olhares menos poéticos. Em dado momento, que comento mais adiante nesta resenha, Tezza declara que não possuía muita familiaridade com o gênero até começar a escrever para a coluna. Não parece, de fato. As crônicas possuem uma cadência gostosa e cumpre o que promete: traz diversão e deleite em poucas linhas. Certamente ele possuía um tanto mais de fãs enquanto encabeçou a coluna, do que os míseros 8, 10 ou 12 leitores que ele dizia ter, num comentário ou outro…

Os assuntos abordados nestas crônicas variam dentro da ampla gama de temas que vivenciamos em nosso dia a dia. O leitor encontrará abordagens sobre política, futebol, o Brasil, viagens e até a simples hospedagem em um hotel ou a espera no saguão de um aeroporto. Tudo muito simples, muito comum, mas ao mesmo tempo interessante e curioso. É muito bacana enxergar o quotidiano pelos olhos de outra pessoa. E é isso que sentimos nas crônicas de Tezza reunidos neste livro: o seu olhar simples e direto do quotidiano.

Em várias crônicas Tezza cita livros e praticamente indica diversos deles ao leitor. Sugiro que leia com um bloquinho de anotações a tiracolo para pegar as dicas! Só livro bom, é claro!

No final há um texto formidável intitulado “Um discurso contra o autor”. Nele Tezza conta como foi seu processo para dar início à escrita de crônicas para o jornal Gazeta do Povo e se desnuda, dizendo até que crônica não era seu gênero preferido e até que não tinha tanta familiaridade assim. Além de citar Machado de Assis, inserindo uma crônica de Machado publicada na Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro em 22 de Julho de 1883. Sem dúvida, uma abordagem sincera que certamente agradará a todos os amantes do gênero.

A edição gráfica da Record não deixa nada a desejar, mantendo sua já tradicional qualidade sem frescura e diagramação perfeita.

Em suma, mais que recomendado aos amantes de crônicas, contos e quotidiano. Leitura de cabeceira, com certeza.

 

Avaliação da obra
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