Rumah, de Bruno Flores – Editora Desfecho Romances

rumahTítulo: Rumah

Autor: Bruno Flores

Editora: Desfecho Romances

Páginas: 234

Gênero: Aventura, Fantasia, Mitologia

Fonte: Cortesia do autor

Skoob

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Sinopse (Fonte: Skoob) Combinando livro de aventuras – à semelhança de “Robinson Crusoé”, de Daniel Defoe – e reflexão filosófica – sob inspiração de “A ilha”, de Aldous Huxley –, o escritor carioca Bruno Flores criou uma saga sobre uma civilização primitiva no Oceano Pacífico em três momentos: conquista, decadência e renascimento.
O livro começa com Tesé, da terceira geração de nativos de Rumah. Ele deseja sair da ilha porque os recursos naturais estão escassos e não vislumbra futuro. O capítulo seguinte introduz a história do sacerdote Sênior e do caçador Tavo, membros da segunda geração de habitantes. Nessa época, a ilha está superpovoada e dividida em clãs que vivem em conflito. Sênior assume o poder como tirano enquanto Tavo, aos poucos, se transforma em líder revolucionário. O terceiro capítulo conta a história de Wangka, da primeira geração, que lidera a jornada de descoberta de Rumah.
Narrado de trás para frente, em capítulos alternados, Rumah conta ainda o romance entre Tesé e uma jovem descendente de um clã inimigo, e traz a impressionante descrição de um tsunami. Através dos personagens, vemos ações e reações que remetem à história da humanidade e a um ciclo que, talvez, esteja perto de se fechar, como aconteceu na ilha de Rumah.

RESENHA

O que me atraiu para fazer a leitura do livro foi a contracapa, pois Rumah remeteu-me a Passárgada de Manuel Bandeira e fiquei extremamente curiosa para conhecer esse lugar idealizado de Bruno Flores onde o povo Kitaran pudesse viver em paz e ser feliz.

Logo no prelúdio que conta a mitologia da origem do mundo e seus deuses (Céu Pai, Mãe Terra e filhos: Lautan (deus do Mar e animais marinhos), Hutan (deus da terra e animais terrestres), Manusia (deus criador dos seres humanos) e Ribut (deus do céu e fenômenos naturais)) já fui envolvida pela trama.

Os demais capítulos não deixaram nada a desejar e o autor fez um revezamento na narração e salto no tempo que particularmente aprecio bastante e acredito deixar o livro fluído, mais prazeroso de se ler, já que ficamos ansiosos para saber a continuação dos fatos.

Wangka, Tavo e Tesé são os protagonistas dessa história e representam as três gerações e momentos: a conquista, a decadência e o renascimento, do povo Kitaran. Conforme a narrativa vai se desenvolvendo, seus destinos vão se intercalando e as histórias passam a dar sentido uma nas outras.

As descrições referentes aos personagens, acontecimentos e principalmente aos lugares e natureza são muito ricas em detalhes e bem feitas. Gostei bastante de todo enredo, mas para mim as trajetórias de Tesé e Tavo são as mais interessantes. Vi-me envolvida pelos personagens e pelo lugar, vibrava a cada conquista e me indignava com cada dificuldade.

Apesar de se passar em outro tempo, Bruno Flores construiu uma trama que se encaixa perfeitamente nos nossos dias atuais, pois relata a desigualdade existente entre os povos, a separação das classes sociais, a desumanidade, os crimes, as epidemias, a injustiça, a busca pelo poder que estão presentes no nosso cotidiano. Além de demostrar que a busca dos Kitaran e a nossa é por um mundo melhor, por um lugar onde exista a igualdade, a humanidade, a justiça, prevaleça à paz e possamos viver felizes.

A capa, as páginas, a fonte, tudo combina com o texto e torna a obra algo formidável. Talvez a únicas dificuldades que outros leitores podem encontrar na hora de fazer a leitura são não prestar atenção aos detalhes e na mudança no tempo e não gostar de mitologia.

Recomendo a leitura de Rumah para aqueles que querem se surpreender com um admirável romance brasileiro. Parabenizo a editora e ao autor pelo resultado final.

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