[Arte e Cultura] Entrevista com a autora Ana Cristina Melo

Olá leitores, tudo bem com vocês?
Seguindo o nosso projeto de entrevistar nossos ilustres autores, vamos hoje conhecer um pouco mais de Ana Cristina Melo. Quem entrevista é a Rê Souza. Acompanhem:
Rê: Ana, foi em 2010 que você se dedicou a escrever livros infantojuvenis, o que te levou a optar por esse tipo de escrita?
Ana: De fato, eu comecei a escrever em 2005, apesar de minha estreia só ter acontecido em 2010. Comecei pela ficção adulta, produzindo contos, mas logo fui atraída para escrever textos infantojuvenis. Foi quando estava escrevendo Caixa de Desejos que percebi como eu me sentia realizada, como eu vibrava escrevendo para jovens. A partir daí resolvi que minha carreira seria embasada no gênero infantojuvenil. 


Rê: Quanto tempo  levou a pausa entre o primeiro livro, “Caixa de Desejos” e o segundo “De volta à caixa de desejos?
Ana: Foi muito rápido, pois o “De volta à Caixa de Desejos” nasceu a partir de um pedido dos leitores. O Caixa foi lançado em maio de 2010 e logo os pedidos chegaram. Comecei a rascunhar o De volta em junho e ele ficou pronto em março de 2011.

Rê: Fale um pouco dessa curiosa caixa mágica da vó Laurinda para matar um pouco nossa curiosidade.
Ana: Antes de morrer, vó Laurinda dá de presente uma caixa para Marília. Porém, essa não era uma caixa comum, era uma caixa que possuía uma energia muito forte dentro dela que a transformava numa caixa de desejos. Assim, todos os sonhos que ali fossem guardados poderiam se realizar. O combustível dessa caixa são as pequenas coisas que nos fazem felizes. Por isso, vó Laurinda diz para a Marília guardar ali tudo que lhe fizesse feliz. Se fosse pequeno, guardasse na caixa, se fosse grande, guardasse no coração. Isso não deixa de ser uma interessante metáfora para a nossa vida. É isso que nos move. São os pequenos momentos que guardamos na memória, os momentos importantes que carregam uma energia poderosa para nos permitir levantar, quando estamos caídos; para nos permitir enfrentar as pedras do dia a dia; para nos permitir não só sonhar como lutar pelos nossos sonhos. A literatura foi um sonho de menina que ficou guardado no meu coração. Depois de mais de 25 anos em outra profissão, consegui resgatá-lo e lutar por ele. E o livro “Caixa de Desejos” veio para representar a realização desse sonho.

Rê: Qual seu ponto chave para cativar e prender a atenção desses jovens leitores que você usa em seus livros?
Ana: Desde menina sou apaixonada pelos livros. Ler para mim é fonte de prazer, de conhecimento, de encantamento. Quando escrevo, desejo muito que o leitor possa sentir essa emoção ao ler meu texto, que este texto desperte nele a vibração que sinto quando estou com um livro nas mãos. Quando consigo isso, sinto-me premiada.

Rê: Quanto tempo você disponibiliza e se dedica à escrita?
Ana: Meu tempo para a escrita, infelizmente, ainda é pequeno, porque tenho outro emprego de 8 h/dia que paga as contas. rsrs Mas uso todos os segundos livres para a literatura. Escrevo, normalmente, no trajeto de casa para o trabalho. Hoje, com o trânsito do Rio, isso pode variar de 1h a 1h30. Depois, na hora do almoço, dou uma fugida para a Biblioteca da ABL, que fica perto do meu trabalho. São 40 minutos preciosos. Depois, aos finais de semana, sempre que posso, dedico algumas horas para digitar o que escrevi (pois escrevo à mão) ou revisar o que estou produzindo. Quando estou às vésperas de entregar algum original, o final de semana passa a ser usado de forma integral. Já fiquei 14 horas por dia só para finalizar a revisão de algum texto que tinha prazo para entregar à editora. Porém, mesmo com esse tempo reduzido, digo que sou escritora 24 x 7, pois minha mente está sempre na sintonia da criação. Ando pela rua com esse sentimento de estar desligada de tudo, mas, de fato, estou pronta para captar qualquer detalhe que desperte em mim a emoção de uma ideia, além de estar sempre pensando no enredo dos textos que estou escrevendo no momento. 

Rê: Eu li a premissa do seu livro, e fiquei encantada, seu público alvo é somente o infantojuvenil ou abrange mais além?
Ana: Tenho ficado muito feliz em descobrir que meus livros vem conquistando leitores de todas as idades. A classificação infantojuvenil ou juvenil está servindo apenas para indicar a faixa etária “a partir de”. Isso é uma grande realização pra mim. E acho que esse movimento acontece pois abordo temas que se conectam a qualquer público. Um bom exemplo é o Caixa de Desejos. Quem aqui não tem sonhos guardados? Tive uma surpresa deliciosa ao receber relatos de adultos que criaram as suas caixas e colocaram na cabeceira ou na estante, para que não mais se esquecessem dos seus sonhos.

Rê: Ana, muito obrigada pela entrevista! Por favor, como despedida, deixe uma mensagem para os leitores do Escrev´Arte.  
Ana: Leiam! Leiam! Leiam! Andem sempre com um livro na bolsa, no bolso, nas mãos. Meu sonho é ver todos lendo, em todos os lugares. Meu sonho é que todos possam descobrir essa magia, essa vibração que existe dentro de cada livro. É como se cada livro fosse nossa caixa de desejos, com toda energia para nos mover a novos lugares. E valorizem a literatura nacional. Desde que comecei a escrever, passei a fazer um trabalho paralelo de divulgação da literatura nacional. Temos escritores contemporâneos fantásticos que, infelizmente, não estão nas bancadas das livrarias, mas que encantam a quem é viciado em leitura. Deixo também um convite para que vocês leiam o Caixa de Desejos, descubram essa relação mágica não só entre a Marília e a vó Laurinda, mas entre a Marília e sua irmã Francine. Uma magia que fez com que os próprios leitores me pedissem a continuação. Se quiserem descobrir um pouquinho mais sobre mim, visitem meu site http://www.anacristinamelo.com.br e meu blog http://canastradecontos.wordpress.com.

Um grande e estalado beijo literário para todos!
Gostaram??? Eu adorei! ana é muito simpática e atenciosa! Agradecemos sua disponibilidade Ana, e o Escrev’Arte está sempre de portas abertas para você!!
Conheçam seus livros:

Caixa de desejos é o quarto livro da escritora carioca Ana Cristina Melo. A história é narrada pela protagonista, Marília, uma garota que tem 11 anos e a cabeça cheia de conflitos. Extremamente inteligente e tímida, ela mora com a família em uma movimentada casa no Rio de Janeiro. Tem paixão por literatura e é pouco popular no colégio: não tem muitos amigos e é constantemente ridicularizada pelos colegas de sala. 
Mas é longe dali, na figura de sua avó paterna, Laurinda, que Marília encontra conforto. Principal confidente e fã das poesias da neta, Laurinda adoece e morre pouco tempo depois. Mas antes deixa de presente para a menina uma “caixa mágica” e o valioso conselho de nunca desistir dos próprios sonhos. Nessa caixa de madeira, Marília deveria guardar suas lembranças e escrever seus desejos para, assim, nunca esquecê-los.
Não bastasse a perda da avó, Marília descobre que terá que dividir seu quarto com a meia-irmã, Francine. Filha do primeiro casamento do pai, Francine é dois anos mais velha que ela e praticamente uma desconhecida. A experiência, porém, provoca uma profunda transformação na vida de Marília. As irmãs descobrem uma profunda afinidade – Francine também é uma menina quieta que ama os livros. Marília aprende com a irmã que o mundo e as pessoas não são tão ameaçadores quanto ela acreditava até então; que as mudanças, não raramente, são necessárias e muito bem-vindas. 
Com a ajuda da irmã e de sua caixa dos desejos, Marília desenvolve sua vocação para a literatura e, por fim, descobre-se uma verdadeira escritora. Na escola, as coisas também começam a mudar: a menina encontra em Leonardo – um colega de classe – o seu primeiro amor. Tantas descobertas dão origem a uma nova Marília: mais confiante, mais destemida e, acima de tudo, mais feliz.
Caixa de desejos trata do delicado tema da passagem da infância para a adolescência. Marília é uma protagonista “possível”; uma jovem sonhadora e tímida, apaixonada pela leitura e que encontra dificuldades para se relacionar com as pessoas ao seu redor. Ana Cristina Melo consegue, através de uma linguagem acessível e fluente, captar com esmero não só a angústia e as incertezas, mas também os sonhos e a alegria que permeiam esta fase da vidatão desorientadora quanto determinante na formação do adulto que dela se originará.
A adolescente Marília, protagonista de Caixa de desejos, está de volta, desta vez mais madura e cheia de novos conflitos. Aos 17 anos, a garota se vê cercada por atribulações em diferentes setores da vida; o namoro que começa a ruir, a crise no casamento dos pais, os desentendimentos com a melhor amiga, a tensão pré-vestibular, o surgimento de um novo amor… tudo ao mesmo tempo.
Quando a mãe da garota resolve voltar a trabalhar, o pai vai contra a decisão e as brigas tornam-se uma rotina dentro de casa. Para completar o “climão”, a família recebe a inesperada visita de Joca, um sobrinho-neto de Dona Ida, a avó materna de Marília. Com a justificativa de realizar o sonho de tornar-se jogador de futebol, o rapaz passa a morar com a família da tia-avó. 
O namoro de Marília com Rafael também não vai bem e ela decide pôr fim ao relacionamento. Rafael, porém, não aceita a decisão da menina e passa a importuná-la. Ao mesmo tempo, surge Pedro – um garoto que estuda na mesma sala de Marília, mas em quem ela não havia reparado até então. Imediatamente ela se encanta pelo rapaz, e o interesse é recíproco. É também quando Joana, melhor amiga de Marília começa a se distanciar da amiga e a mostrar-se fria e ressentida com a aproximação entre os dois.
Vó Laurinda
Nesse meio tempo, Francine – irmã de Marília – retorna de Paris e decide morar sozinha, a contragosto do pai. Mesmo longe uma da outra por alguns anos, as irmãs nunca perderam contato, e o retorno inesperado de Francine é como uma boia salva-vidas para a irmã mais nova. Como se não bastasse tanta pressão, Marília tinha ainda de achar tempo para estudar para o vestibular de Comunicação Social – uma “sugestão” de seus pais com a qual ela não estava muito empolgada.
Mais uma vez, quem vem em seu socorro é vó Laurinda e sua “caixa mágica”. 
Em De volta à caixa de desejos, Ana Cristina Melo, mantém sua característica linguagem acessível e narrativa ágil e fluente. O jovem leitor irá se deparar com uma Marília mais debochada e espontânea, com um jeito mais “descolado” de falar. O fim da adolescência é um período tão conturbado quanto seu começo; entrar no mundo adulto não é nada fácil. Os problemas parecem crescer em número e tamanho, mas é a maturidade ao encarar estes novos conflitos o fator determinante para que esta fase seja, mais tarde, evocada como uma lembrança boa, a qual todos guardamos com carinho na memória.
Os livros são publicados pela Editora Tordesilhas LivrosVisite o site – e o contato com a autora foi feito através do Parceria6 Assessoria de Comunicação – Clique e conheça.

4 comments

  1. Adorei conhecer mais sobre a autora. Achei ela uma fofa!! Estou sempre em busca de bons livros infanto juvenis para ler para os meus alunos. Já estou até imaginando um projeto literário a partir da leitura do livro, onde cada aluno construa sua caixa de desejos…

    Beijos!!

  2. Adorei conhecer um pouquinho mais sobre a autor. Eu me lembro quando Caixa de desejos foi lançado, fiquei louca querendo o livro, tinha uma capa diferente, num tom azul mais clarinho. Ambos parecem ser ótimos.

    Bjok

  3. Gostei muito da entrevista. Achei super corrida a vida da autora, além do trabalho de 8 horas, escreve em todo seu tempo livre. Gostei muito da sinopse dos livros, gostaria de ler. As capas são lindas.

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